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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Religião Tolerante? A Religião da Paz?

De um amigo recebemos este «tema quente» e bem delicado, mas que achámos por bem deixar aqui registado:

Estas fotos foram tiradas durante a manifestação de «A Religião da Paz» recentemente celebrada pela comunidade muçulmana, em Londres. Não se publicou na imprensa nem na TV para não ofender ninguém...

«MATAI AQUELES QUE INSULTAM O ISLÃO; EUROPA PAGARÁS: A TUA DEMOLIÇÃO ESTÁ EM MARCHA.; A TUA EXTERMINAÇÃO ESTÁ A CAMINHO,.....»


«DECAPITAI OS QUE INSULTAM O ISLÃO»


«A EUROPA É O CÂNCRO, O ISLÃO É A RESPOSTA', 'EXTERMINAI OS QUE VÃO CONTRA O ISLÃO»


«O ISLÃO DOMINARÁ O MUNDO»


«QUE A LIBERDADE VÁ PARA O INFERNO»


«EUROPA, TIRA ALGUMAS LIÇÕES DO 11 DE SETEMBRO»



«EUROPA PAGARÁS. O TEU 11 DE SETEMBRO ESTÁ A CAMINHO»



«PREPARA-TE PARA O VERDADEIRO HOLOCAUSTO»


E este meu amigo termina com uma questão que me parece muito pertinente:
ALGUÉM PODE PENSAR QUE TEMOS ALGO CONTRA ESTA GENTE TÃO PACÍFICA? SERÁ QUE EU PODIA MANIFESTAR-ME NO PAÍS DELES DESTA FORMA?
Qual a Vossa ideia sobre isto?








domingo, 10 de janeiro de 2010

No Bico dum Passarinho...




A nossa amiga e Poetisa Rosa Dias, prestimosa colaboradora e elemento do Grupo Coral «As Cantadeiras da Alma Alentejana», não se limita a isso mesmo, sendo para além do mais muito mais do que isso - tem um «coração muito grande» esta nossa amiga e sempre que alguém do seu meio «cai», ela aí está para a ajudar a «levantar» com toda a sua força. Agora foi a vez de um dos nossos elementos das Cantadeiras, a Fernanda, ausente por doença prolongada, numa fase muito difícil de ultrapassar, onde a «Rosita» melhor do que ninguém, lhe dá força usando a «arma» mais forte da Natureza: a Poesia... a Poesia da Rosa. Ora vejam abaixo:


Amigo aí lhe envio, o poeminha que enviei á nossa amiga Fernanda.
Aquele abraço da amiga certa Rosa


No bico dum passarinho


Ouvi um passarinho cantando
Mais parecia estar falando
E aos poucos me aproximei
E na sua linguagem branda
Falava de ti Fernanda
Dizendo, com ela está tudo bem.

Sentei-me olhando p'rós céus
E agradeci ao nosso "Deus"
A benção que te veio dar
Apesar do mal que passaste
Há sinais que ultrapassaste
E isso é p'ra festejar

Vamos idealizar um encontro
Amanhã ou em qualquer outro
Dias não nos faltarão
E ao trocarmos nosso abraço
Iremos fortalecer o laço
De amigas do coração

Disse adeus ao passarinho
Que voava p'ra seu ninho
E a voar ia cantando
Pois ao romper o novo dia
Ia espalhar mais alegria
Por outros que estão esperando

Com muito carinho da tua amiga do coração:
Rosa Dias

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Confiar sem se machucar?


Quase sempre criamos expectativas em nossas relações pessoais, afectivas, familiares. Confiamos, acreditamos, gostamos e muitas vezes nos decepcionamos e nos machucamos. Criamos ilusões diante de quem conhecemos e quando estes têm comportamentos inesperados, o chão de nossa segurança desaparece e nos sentimos ameaçados. Quando isso acontece, muitas vezes custamos a acreditar nos fatos, apesar deles serem reais e estarem à nossa frente. Como defesa para não sentirmos a dor, negamos, fugimos, mas logo a mágoa volta para nos lembrar que fomos enganados, traídos.

Muitas vezes, dependendo do grau do envolvimento, acabamos por confundir a realidade com nossas necessidades e vemos o outro como desejamos que fosse e não como ele se apresenta. Ou seja, com muita facilidade confundimos ideal com real. Claro que outras vezes, o outro faz de tudo para acreditarmos que ele seja como um anjo, mas com o tempo percebemos que estava muito distante disso.

Os principais responsáveis por nossas desilusões somos nós mesmos, pois idealizamos a outra pessoa e, ainda que inconscientemente, projectamos nela a responsabilidade de satisfazer as nossas necessidades. Assim, perdemos a capacidade de discernir a realidade da necessidade e a própria responsabilidade de suprirmos as nossas carências. Se reparar melhor e voltar um pouco ao passado, talvez perceba que foi enganado, na verdade, por ignorar a sua intuição, a sua voz interior, que quase sempre diz: "não vai dar certo, não confie, não vá adiante". Ignoramos os nossos valores como se não fosse correcto confiar em nossa própria voz. E aí nos enganamos e nos machucamos. Isso quer dizer que não devemos acreditar nas pessoas? Devemos acreditar acima de tudo em nós mesmos, e muitas pessoas confiam mais em outras pessoas do que em si próprias e esse não é o melhor caminho. O que devemos evitar é colocar todo o nosso referencial de vida e valores no outro, deixar de viver a própria vida e viver a vida do outro.

Não podemos perder o nosso referencial interno, pois ao mantermos as nossas referências, ficará mais difícil alguém nos decepcionar a ponto de nos perdermos de nós mesmos.

Algumas pessoas sofrem demais, porque na verdade, esperam demais, ou ao menos, esperam que o outro tenha respeito e valores semelhantes aos seus, o que nem sempre acontece. Confiar em alguém nos dias de hoje é algo muito delicado.

Se você se considera uma vítima constante de pessoas assim, não será hora de parar um pouco e repensar sobre os seus próprios valores e a forma de conduzir a própria vida? Ou ainda, não confiar tanto assim? Você pode sofrer por ter sido enganado, mas sofrerá muito mais por se ter deixado enganar. De nada adiantará ficar revoltado, brigar com o mundo, achar que não se deve mais acreditar no ser humano. Mas talvez seja importante para si acreditar acima de tudo em você mesmo.

Lembre-se que quem engana o outro, na verdade, está enganando e fugindo de si próprio. Ou seja, quem "brinca" com os sentimentos de alguém, quem machuca o outro, está desrespeitando antes de tudo a si mesmo, escondendo-se atrás de máscaras por não conseguir suportar os seus intensos conflitos internos. Parece que pessoas assim se esquecem que com o tempo as consequências se podem inverter, tendo efeito bumerangue: vai e volta. Estão tão atentas em como lesar ou prejudicar o outro que nem conseguem perceber o mal que estão causando a si mesmas e nem se dão chance de descobrirem que podem ser muito felizes sem ser preciso machucar alguém.

Em qualquer relacionamento, e independentemente do tempo que se mantenha, podemos ouvir o que nos dizem, entender o que pensam, ou melhor, dizem pensar, mas dificilmente saberemos o que realmente sentem. Se até os nossos próprios sentimentos nos fogem ao controle, imagine o que o outro sente.

Amizade, cumplicidade, ética, responsabilidade, comprometimento, respeito, são valores hoje muito difíceis de serem encontrados.Talvez por isso, seja tão importante valorizarmos aqueles que nos são caros, que mostram coerência entre o que sentem, fazem e falam. E mais importante ainda, é valorizarmos a nossa intuição, que muitas vezes nos diz para não seguirmos adiante, mas ignoramos e seguimos em frente e depois nos decepcionamos, não só com o outro, mas também com nós mesmos. Por isso, observe mais, fale menos e tenha a certeza que para alguém ser especial para você e participar da sua vida, deve respeitar ao outro como a si mesmo o que, infelizmente, poucos conseguem. Por tudo isso, confie acima de tudo em si mesmo! E no máximo em uma folha de papel em branco, se quiser desabafar. E lembre-se do escreveu Jean Paul Sartre: "Não importa o que fizeram connosco, o que importa é aquilo que fazemos com o que fizeram de nós".

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ansiedade, expectativas e decepções...


A vida acontece quando estamos prontos. Quanta ansiedade, quantas expectativas, quantas decepções geramos na vida! Quantas vezes nos decepcionamos com coisas e situações que acontecem no nosso quotidiano! Quantas e a troco de quê?

Há dias, falando com um amigo, ele me disse em desabafo que estava farto de tantas decepções em sua vida. Era a traição da namorada, a incompreensão da família, a falsidade no trabalho, pois tinha um excelente cargo e um promissor plano de crescimento na empresa em que trabalhava, mas por motivo de doença teve de se afastar por um tempo e um colega assumiu o seu posto. Tempos depois perdeu o cargo e o emprego e nada mais dava certo em sua vida. Simplesmente, o chão onde pisava desapareceu.

Como bom amigo, fui logo falando francamente, na expectativa de poder consolá-lo. Mas me assustei quando ele me olhou com os olhos vermelhos e esbugalhados e com o dedo em riste, respondeu:- Quem você pensa que é para me dar conselhos?

Que decepção ouvir isso de um amigo, ainda mais de um amigo que eu gostaria de ajudar naquele momento tão difícil da sua vida. Mesmo assim, me esforcei e relevei a sua rudeza. O nosso maior aprisionamento vem da ansiedade e da expectativa! Comecei explicando-lhe que os maiores aprisionamentos espirituais são pela ansiedade, pelas expectativas, pelas emoções negativas como mágoas, raivas, rancores, rejeição, abandono, ódio, etc. Quando nos libertamos dessas emoções, tomamos consciência de nós mesmos, do nosso valor, da responsabilidade com as nossas escolhas, da consciência de que somos os únicos responsáveis pela nossa luz e pelas nossas sombras. Por isso, quando nos centramos, equilibramos e respeitamos os nossos valores e as nossas razões. Conseguimos ver para além das aparências, além das ilusões emocionais, e tudo acaba acontecendo como que por encanto.

Por incrível que pareça, a ansiedade e as expectativas são responsáveis pela nossa ignorância e pelos atrasos dos acontecimentos. Quando nos libertamos da ansiedade e das expectativas, tudo acontece.

Quando nos libertamos da ansiedade e das expectativas, irrompem os acontecimentos. A vida realmente é muito sábia, extraordinariamente sábia! Somente quando tomamos consciência e nos libertamos é que a energia se aproxima e gera os contactos para que fortaleçamos os nossos sentimentos, a nossa tomada de consciência, a nossa percepção, reforçando de forma definitiva os nossos posicionamentos.

Na maioria das vezes, ficamos presos numa ansiedade e expectativa em relação aos acontecimentos mais marcantes em nossas vidas, aguardando que algo aconteça. Ficamos presos, amarrados numa situação que nos desgasta e nos empurra para a decepção. A decisão acertada para nos libertarmos dessa situação é deixar acontecer!

Já imaginaram plantar uma semente e ficar sentado olhando para o vaso, aguardando que a plantinha apareça à superfície da terra?

Ora, é a mesma coisa. Haja paciência! Plante a semente e esqueça. Vá cuidar de outros afazeres, pois num belo dia, quando menos se espera, uma planta brotará linda e formosa. E se a semente estiver estragada e não vingar, não se decepcione. Plante outra e mais uma e tantas outras que certamente algumas brotarão!

Então, você saberá: controle a ansiedade, acabe com as expectativas e não haverá decepções.

A vida acontece somente quando estamos prontos!

sábado, 24 de outubro de 2009

OLhar Para dentro


Um dos maiores desafios no caminho do autoconhecimento é aprender a olhar para dentro. Geralmente, costumamos procurar a raiz de nossos problemas e dificuldades no mundo exterior. O outro, as circunstâncias de nossa vida, o destino, são sempre, a nosso ver, os causadores de nossas derrotas, medos e angústias.

Ao iniciarmos a busca pela origem de nossos problemas, é fundamental que aprendamos a exercitar a auto-observação, um foco permanente na forma como reagimos ao mundo e às pessoas. Quanto mais dependente do exterior for o nosso equilíbrio, mais difícil nos será libertarmo-nos de nossas aflições. O teste é simples: basta, a cada momento, observar como reagimos às opiniões e atitudes dos outros para conosco, ou aos acontecimentos que contrariam a nossa vontade. Se ruminarmos por horas, ou até mesmo dias, aquilo que nos desagradou, ofendeu, magoou, estaremos alimentando cada vez mais o ego, a parte de nosso ser que precisa de aprovação, atenção e incentivos permanentes para poder ser feliz. Observar os sentimentos e as emoções é apenas o primeiro passo. Quanto mais fundo formos nesse mergulho e encararmos nossas dificuldades com coragem, entendendo que elas são fruto de toda uma vida de condicionamento imposto a nós pelo mundo exterior, mais rapidamente entraremos em contato com nosso Self (nós mesmo). Ele constitui a dimensão mais elevada do ser humano, a conexão directa com o divino poder criador, que sempre esteve presente e sempre estará em nós, independentemente da forma física que assumirmos, pois a sua natureza é eterna. Reencontrá-lo é uma bênção, uma dádiva que está ao alcance de todos, desde que estejam dispostos a vencer o medo da viagem. Um famoso ditado Sufi diz: aquele que conhece os outros, é erudito; aquele que conhece a si é sábio.

Ser erudito é fácil, para ser sábio tem que se ter vísceras, coragem. Porquê? Porque é que no mundo é preciso ser-se corajoso para conhecer-se a si mesmo? Existem razões. A primeira razão é: existe um medo de que se você mergulhar em si mesmo, poderá não encontrar alguém lá... E de certa maneira este medo está certo. Você não vai mesmo encontrar alguém lá. Esta apreensão está certa. ... Alguma coisa vai ser encontrada lá, mas é algo que não se define, é algo que não se expressa em palavras. E este algo não é uma posse sua ; este algo é tanto seu quanto é de todo mundo. Você encontrará algo, mas será o centro universal. Você não encontrará qualquer indivíduo lá, nenhum ego será encontrado. Por isto, o medo. Você irá desaparecer. No autoconhecimento você irá desaparecer completamente. Por isto as pessoas conversam a respeito dele, perguntam a respeito dele, lêem livros a respeito, mas nunca entram. Um medo inconsciente impede seu caminho. ...

Quem sabe no que você vai tropeçar quando mergulhar em si? Pesadelos, monstros... Quem sabe o que está lá dentro? Porquê abrir a caixa de Pandora? Mantenha-a firmemente fechada e sente-se em cima. Isto é o que todo mundo está fazendo. E, sob certo sentido, o medo está certo - mas somente sob certo sentido.

Ao princípio você encontrará baratas, rinocerontes, répteis e todo tipo de coisas horríveis - porque estas são as coisas que você esteve reprimindo em si mesmo, estas são as coisas que você não permitiu. Você reprimiu a raiva, o ciúme, a possessividade, o ódio. Você reprimiu a violência e o assassinato. Todas estas coisas estão ali. Esta é a barata que está dentro de você. A violência tornou-se uma perna, a possessividade tornou-se outra e o ciúme uma outra mais...

Quando mergulhar dentro de si, você terá que encarar tudo isto. Naturalmente, esta não é toda a sua história. Se você puder encarar a barata, se você puder ir cada vez mais fundo, sem qualquer medo, e observar tudo o que estiver acontecendo, e lembrando-se que ‘eu sou apenas um observador, uma testemunha a tudo isto. Eu não posso ser a barata porque eu posso ver’... o que você consegue ver não é você. Guarde isto como uma chave, uma lembrança constante: tudo o que você vê, não é você. Você vê a raiva? Então você não é ela. Você vê a fome? Então você não é ela. Você vê a sexualidade? Então você não é ela. Você é aquele que testemunha tudo isto. Lembre-se da testemunha e, pouco a pouco, todas as baratas desaparecerão, assim como todos os rinocerontes e tudo o mais que é feio.O testemunhar é um fenómeno tamanho que dissolve tudo o que é feio. Pouco a pouco, somente a testemunha permanece. Mas esta testemunha não será você; ela é Deus. Esta testemunha não pode ser confinada em um Eu - ela é o puro ser.

Existem duas inscrições gravadas no templo de Apolo em Delfos: Conheça-se a si mesmo’ e ‘Nada em excesso’. Há uma relação entre estas citações. O homem era aconselhado a conhecer-se a si mesmo, e no seu conhecer ele deveria evitar extremos. Quais são os extremos? Dois são os extremos: o inferno e o céu, as baratas feias e as lindas borboletas. Você tem que permanecer uma testemunha de ambas. Você não é nem a barata nem a borboleta com cores psicadélicas. Nem isto nem aquilo. Você é apenas o observador, o espelho que reflecte a barata e que reflecte a borboleta. De acordo com os sacerdotes de Delfos, um extremo era a tentativa de ir além de sua finitude, agir como se fosse infinito. Isto acontece. Se você olhar para dentro, ou começa a sentir que é alguma coisa como uma criatura do inferno, ou começa a sentir que você é um anjo, uma criatura celestial. Mas em ambos os casos você novamente criou um ego. Evite os extremos, porque o ego consegue existir apenas com os extremos. Ele morre no meio. O meio dourado é a sepultura do ego.... de vez em quando é bom descansar por uns dias num retiro nas montanhas, só para um descanso, mas você tem que voltar para o mundo. Sim, é bom meditar por algumas horas, mas depois você tem que voltar para o mundo. ...Não comece a pensar que você está separado, porque o autoconhecimento não pode ser alcançado na separação. Ele é alcançado na união. E a união mais íntima possível é com outra pessoa. Como pode você estar em comunhão com as árvores se você não consegue estar em comunhão com pessoas? Como você pode estar em comunhão com as pedras se você não consegue estar em comunhão nem mesmo com seu amado ou sua amada? Isto é absurdo! Toda esta idéia é absurda. ... Eu tenho visto pessoas vivendo anos e anos nas montanhas.....elas podem viver num silêncio, mas o silêncio será das montanhas, não é uma realização delas. A não ser que você consiga viver o silêncio na praça do mercado, ele não será uma realização sua. Ao retornar do Himalaia você, de repente, ficará chocado, pois continuará sendo a mesma pessoa que era antes de ter ido para lá, talvez você esteja até pior. Você não será capaz de tolerar o barulho, o tumulto do mundo. Que tipo de realização é esta? Em lugar de se tornar mais capaz, mais integrado, você ter- se-à desintegrado, terá enfraquecido. Você não ganhou força. ... Autoconhecimento é um conceito muito estranho, e você precisa compreendê-lo, porque este é todo o trabalho de um Sufi: como conhecer a si mesmo... Autoconhecimento é um tipo de conhecer, mas não de conhecimento. É um tipo de consciência, luminosidade, mas não conhecimento. ...

Hassan costumava orar todos os dias diante do mosteiro, sentando-se na rua. E ele chorava em prantos, olhava para o céu e dizia: ‘Deus, abra a porta! Eu tenho esperado há tanto tempo. Não foi o suficiente? Terei eu que passar por mais testes? Você ainda não me testou o suficiente? Abra a porta! Eu estou chorando. Eu estou em prantos. Eu estou gritando - abra a porta!’Esta era a sua constante prece, toda manhã e toda tarde. Onde quer que estivesse, ele ia ao mosteiro, sentava-se na rua e orava.

Rabia um dia ia de passagem. Ela bateu na cabeça do Hassan e disse, “Que tolice você está falando? A porta está aberta! Mas você está tão absorvido em seus gritos ‘Abra a porta! Escute-me, Senhor. Por que você não abre a porta’? Você está tão ocupado com essas tolices, que você não consegue ver que a porta está aberta. Ela sempre esteve aberta”.

Eu concordo com Rabia... Tudo está disponível. Você não precisa lutar. Você nem mesmo precisa de se entregar. Porque a entrega é a polaridade oposta à luta. Você tem apenas que estar no meio. Tem que estar no estado de não-fazer, nem lutar e nem se entregar. E de repente você será capaz de ver que a porta está aberta. Você nunca foi a nenhum outro lugar. Você sempre esteve aqui. Onde mais você poderia ir? Estar dentro é a sua natureza. E então tudo é revelado como um relâmpago. De repente a escuridão desaparece e tudo é luz...

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Buscarmos...


Buscarmos...

Termos a cada instante, a confiança de que poderemos superar as adversidades. Acordarmos todos os dias, vendo que as alegrias e tristezas são apenas momentos e que assim, devemos viver intensamente, buscando pelo progresso espiritual. Desenharmos na mente pensamentos positivos e eles passarem a direcionar os nossos passos. Derramarmos lágrimas nos momentos de fragilidade, mas acima de tudo, buscarmos compreender o momento de enxugá-las e prosseguirmos - afinal a vida não pára.

Devemos confiar na luz que ilumina o caminho à nossa frente e passo a passo, caminharmos; muito há ainda a ser feito e o progresso espera por nós. Alimentarmos a esperança em nosso íntimo; só assim, seremos capazes de realmente, acreditarmos que alcançaremos a salvação. Abandonarmos a bagagem que não serve mais e, com isso, criarmos espaço para que a renovação se realize.

Seguirmos confiantes pelas tormentas, porque com a acesa, seremos como uma embarcação que vence todas as adversidades que surgem em seu trajeto, resistindo às tempestades. Abraçarmos o Evangelho, mas também, compreendermos, que se torna necessário, colocá-lo em prática.

Termos a certeza de que somos capazes e de que em nenhum momento, nos faltará o amparo divino. Trabalharmos minuto a minuto pela nossa elevação, entendendo que a subida é gradual, mas que chegaremos ao topo. Encararmos os medos e descobrirmos que, na verdade, muitos deles só existiam em nossa mente. Usarmos as ferramentas que já estão em nosso íntimo e portas se abrirão e veremos como já podemos transpô-las.

Buscarmos pela comunhão com o bem e, assim, dessa sintonia, nascerá o equilíbrio que tanto almejamos. Compartilharmos bons sentimentos por onde andarmos, porque estaremos construindo um uma cúpula de proteção ao nosso redor. Renovarmos as nossas forças, nos sintonizando com o Alto e percebendo o quanto podemos realizar.

Buscarmos pela fraternidade, fazendo sempre a nossa parte para que ela nunca desapareça. Buscarmos pela cura dos males da alma, compreendendo que a fé é o remédio que liberta nosso Espírito das teias do mal. Desvencilharmo-nos do desânimo e sintonizarmo-nos com a espiritualidade maior, que está ao nosso lado e certamente seremos inspirados a trilhar um caminho de renovação.

A cada noite, reflectirmos sobre os atos praticados e compreendermos como se encontra o nosso íntimo, só assim, poderemos purificar os nossos passos. Não julgarmos o outro, porque cada um de nós encontra-se em um estado de evolução e muitas vezes, aquele que nos ofende, que trai nossa confiança, que fere nosso íntimo e espalha a mágoa em nosso coração, esse, na verdade, carece de nosso auxílio.

Buscarmos após cada queda, levantarmo-nos mais confiantes e com determinação, prosseguirmos, levando conosco mais um aprendizagem que muito nos ajudará.

Buscarmos pela prece nos momentos de angústia e veremos como conseguiremos alcançar a serenidade para jamais pensarmos em desistir. Combatermos o desespero, lembrando-nos dos ensinamentos do Mestre.

Não ficarmos parados no meio do caminho, a evolução é nosso destino, e só a atingiremos se continuarmos a nossa jornada espiritual.

Buscarmos pelo Pai e compreendermos que... Ele habita em nós !.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Quando menos é mais


Acredito que fazer menos e melhor é um desafio que muitas pessoas têm encarado quotidianamente. De uma forma ou de outra, estamos sempre em movimento, constantemente ocupados com o mundo exterior.


Nos momentos em que recuperamos a capacidade de auto-observação, nos surpreendemos com nosso comportamento robótico: realizando tarefas pré-programadas como zumbis...

Para não cairmos nesta rede viciada dos afazeres automáticos, Lama Gangchen Rinpoche nos alerta para encararmos o mundo como um grande supermercado, no qual devemos fazer nossas compras no Supermercado dos Bons Pensamentos. A princípio, esta ideia pode parecer o simples jogo do contente, como nos contos infantis de Pollyana. Mas, aqui se trata antes de tudo de uma escolha: como nos queremos relacionar connosco mesmos, com as pessoas e o nosso meio-ambiente? Queremos agir a favor ou contra nosso fluxo de vida?


Naturalmente, a favor! Para tanto, temos que nadar contra o fluxo do Supermercado da Sociedade Moderna que está sempre nos fragmentando ao nos seduzir para comprar mais e fazer mais do que é necessário!Quantas coisas fazemos ao mesmo tempo? Quem não fala no telemóvel enquanto faz alguma outra coisa?


Por exemplo, a ciência nos alerta que quem costuma usar o telemóvel ao volante corre sério risco de provocar ou de sofrer um acidente. Uma pesquisa recente, publicada na revista científica Neuron, mostra que ocorre um "engarrafamento" no cérebro, quando as pessoas tentam realizar duas tarefas simultaneamente. De acordo com os cientistas da Universidade Vanderbilt (EUA) que realizaram o estudo, a actividade cerebral fica mais lenta quando se tenta executar uma segunda tarefa menos de 300 milésimos de segundo depois da primeira. Mas quando as tarefas são realizadas com um segundo de intervalo, não há problema.


Um segundo parece muito pouco, mas quando nossas acções se tornam simultâneas causa este efeito conhecido como "interferência da tarefa dupla": a actividade neurológica faz uma 'fila' onde a resposta neurológica à segunda tarefa é adiada até que a resposta à primeira seja completada. Ou seja, quando fazemos mais de uma tarefa ao mesmo tempo iremos precisar de mais tempo para realizar cada tarefa! Apesar de aparentemente estarmos ganhando tempo ao fazer tarefas simultâneas, estamos perdendo tempo, eficiência e precisão.


Temos que admitir: o nosso cérebro foi concebido para trabalhar com o máximo de eficiência quando se dedica a uma única tarefa e durante períodos de tempo contínuos. O ritmo actual de nossa sociedade já está muito acelerado para ser controlado. Por isso, cabe a cada um de nós saber quando e como não cair nesta rede de eventos simultâneos.


Lama Gangchen Rinpoche em seu livro Autocura NgalSo III (Ed.Gaia) nos aconselha: "Todos nós fazemos compras no supermercado de informações e, por isso, devemos ter cuidado para comprar apenas o que é positivo, benéfico e útil para nosso dia-a-dia e rejeitar todas as informações negativas, venham de onde vierem. As notícias ruins só nos fazem sofrer, ficar cansados e fracos; não precisamos delas. Seguindo as informações negativas, corremos o risco de um dia perder toda a esperança e dilecção na vida".

Se um dia tivemos que nos esforçar para aprender a fazer múltiplas tarefas, hoje o nosso esforço deve ser exactamente o contrário: escolher menos para viver mais!

domingo, 13 de setembro de 2009

O Guia


Nos momentos cruciais da vida, quando precisamos fazer escolhas realmente importantes, curiosamente percebemos que todo o conhecimento intelectual que acumulamos não nos serve para nada…

Na maior parte das vezes, insistimos em sair destes impasses utilizando velhas fórmulas que foram úteis para outras pessoas, mas que nem sempre se adaptam à nossa individualidade.


Enquanto prosseguirmos confiando mais nas soluções alheias que em nosso próprio interior, dificilmente conseguiremos despertar a sabedoria necessária para sairmos inteiros de uma tempestade existencial.


O primeiro passo é equilibrar as emoções. Para isto, sim, podemos recorrer às inúmeras terapias que temos hoje à disposição. Mas apenas isto não será suficiente. O próximo passo é fortalecer a confiança em nosso próprio guia, pois somente ele será capaz de nos apontar, a cada momento, qual o caminho mais acertado. Confiança é a palavra chave, pois sem ela continuaremos duvidando do que nos aponta a intuição, o único e verdadeiro mestre que devemos seguir.


"Sua cabeça, sua mente, tem sido dirigida de muitas maneiras, por muitas pessoas. Não houve nenhuma má intenção. Seus pais amaram você, seus professores amaram você, sua sociedade quis que você fosse alguém. Suas intenções foram boas, mas seu entendimento era pequeno. Eles esqueceram que você não pode conseguir fazer a margarida tornar-se uma rosa, ou vice-versa.


Tudo o que você pode fazer é ajudar as rosas a crescerem maiores, mais coloridas, mais perfumadas. Você pode dar todas as químicas necessárias para transformar a cor e o perfume - o adubo que é necessário, o solo certo, a irrigação certa na hora certa - mas você não pode fazer a roseira produzir a flor de lótus.


E, se você começar dando a ideia para a roseira, "Vocês têm que se tornar flores de lótus" - e é claro que as flores de lótus são belas e grandes - você está dando um condicionamento errado que ajudará somente para que esta roseira nunca esteja pronta para produzir flores de lótus; e ela não produzirá nem mesmo rosas, porque, de onde ela obterá a energia para produzir rosas? E quando não houver nem lótus, nem rosas, é claro que esta pobre roseira se sentirá completamente vazia, frustrada, estéril, sem valor.


E isto é o que está acontecendo para os seres humanos. Com todas as boas intenções, as pessoas estão controlando sua mente. Em uma sociedade melhor, com mais entendimento das pessoas, ninguém o mudará. Todo mundo o ajudará a ser você mesmo - e ser você mesmo é a coisa mais valiosa do mundo. Ser você mesmo lhe dará tudo o que você necessita para sentir-se pleno, tudo o que pode fazer sua vida significante. Apenas sendo você mesmo e crescendo de acordo com sua natureza, trará a realização do seu destino.


Então, o desejo não é mau, mas tem se movido na direcção dos objectos errados. E você tem de estar ciente para não ser manipulado por ninguém. De qualquer maneira, as intenções deles são boas. Você tem que se salvar a si mesmo de muitas pessoas bem intencionadas, os benfeitores, que o estão constantemente aconselhando para ser isto, ser aquilo. Ouça-os, agradeça-lhes, eles não têm intenção de lhe causar algum dano, mas dano é o que lhe acontece. Ouça apenas o seu próprio coração - é o seu único professor.


Na jornada real da vida, a sua própria intuição é a sua única professora...

A Intuição é dada por sua própria natureza. Você tem seu guia dentro de si.


Com apenas um pouco de coragem, você nunca sentirá que é inadequado. Você pode não se tornar o presidente do país, você pode não se tornar um primeiro ministro, você pode não se tornar Henry Ford, mas não há necessidade. Você pode tornar-se um belo cantor, você pode tornar-se um belo pintor. E não importa o que você faça...


O que importa é aquilo que está desfrutando do que está fazendo, que está colocando todas as suas energias dentro daquilo, que não quer ser ninguém mais; que isto é o que você quer ser. Que concorde com a natureza que a parte que é dada para actuar neste drama é a parte certa, e você não está pronto para mudá-la mesmo como um presidente ou um imperador.


Esta é a riqueza real. Este é o poder real.


Se todo mundo crescer para ser ele mesmo, você encontrará toda a terra preenchida com pessoas poderosas, de tremenda força, inteligência, compreensão e realização, uma alegria que elas têm ao vir para casa". OSHO - The Transmission of the Lamp

O rabino e o ninho vazio


Perguntaram a um rabino: quando começa a vida?

E ele respondeu: a vida começa quando os filhos saem de casa e o cachorro morre!

Adoro essa história, fico até imaginando o sorriso malicioso do rabino sábio e a perplexidade do aprendiz!Boa parte dos meus amigos está na fase "ninho vazio", remexendo lá no fundinho para ver o que sobra debaixo da palha... e eu fico pensando: OK, a gente entende a questão dos filhos, mas por que o cachorro?

Hoje, passeando com o Fire, esse pastor Alemão, que nasceu há uma dezena de anos, tão brilhante que a gente brinca como dois meninos pequeninos, percebi o que o rabino queria dizer.Ritmo! Essa é a palavra! Ritmo!

Desde que nascemos seguimos um padrão mais ou menos previsível, aprendemos a caminhar, a andar de bicicleta, a lidar com os espinhos, com os corações partidos, destacamos os nossos «diplomas», ficamos orgulhosos com o primeiro emprego, com o segundo, o terceiro; comemoramos o salário melhor, descobrimos o outro, casamos, temos filhos que precisam aprender a caminhar, a andar de bicicleta, têm que fazer lição de casa, jogar afinal para o seu «diploma» e cair no mundo... e é mais ou menos por aí que eles saem de casa, levando nossos hábitos, nossas certezas, enfiando uma nota final, dissonante, naquela sinfonia tão familiar de movimentos... De repente, eles se vão, e os allegros e os prestíssimos fazem falta, a pausa no lugar dos passos do minueto alucinado que eles nos faziam dançar, incomoda. E a vida perde o ritmo...

É aí que entra o cachorro. Fui caminhar com o Fire ontem, e na semana passada.

Dois ensaios desajeitados, mais por desencargo de consciência do que por prazer. Foi o bastante para hoje ela vir cobrar a minha presença na dança do dia. Quer dançar? Preguiça... Vamos, vá? E abana o rabo, convincente.Lá sou eu arrastado para a rua, pensando que os cachorros, como os bebês e os filhos, são grandes criadores de ritmos. Sem sequer nos darmos conta inteiramente de "como foi que aconteceu", um dia nos vemos irresistivelmente seduzidos, puxados pela mão ou pela trela, rodopiando por harmonias ora simples ora dissonantes, nota, pausa, intervalo, nota, pausa... bravo!!!!

Confortavelmente instalados atrás do carrinho de bebê, do triciclo, da bicicleta de rodinha, do primeiro carro, do rabo que abana, da trela que puxa, a gente se deixa levar pelo ritmo deles e se engana pensando que somos nós os maestros. Ao contrário, são eles que marcam os compassos da nossa vida e vamos extraindo daqui e dali acordes simples, de notas rápidas, apressadas, até mesmo daqueles movimentos em que estamos afinal sós, bem longe deles...

Um dia eles se vão e o mundo fica silencioso. Dá uma saudade danada, mesmo dos momentos de adágios e andantes, largos e lentos.

Desajeitamos...

Mas não é justamente no silêncio que nascem todos os ritmos? O próximo acorde, não brota da pausa? E aí, quase sem sentir, você se pega tamborilando na mesa ou marcando um ritmo com os pés no chão, olha para frente, reconhece o parceiro antigo da primeira dança, do primeiro baile. Percebe então que a vida acabou de começar... o rabino, como sempre acontece com os rabinos das histórias, tinha razão!