sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coral Etnográfico «Os Amigos do Alentejo» na Casa do Alentejo em Lisboa


Integrado nas costumadas Tardes de Cante Alentejano que a Casa do Alentejo em Lisboa (Portas de Santo Antão) realiza todos os Sábados, onde costumam estar presentes na animação cultural vários Grupos Corais Alentejanos, vindos do Alentejo, chegou agora a vez dos Amigos do Alentejo do Clube Recreativo do Feijó (Almada), ali actuarem neste Sábado, 26 de Setembro, a partir das 15horas.


Mais uma tarde que se prevê muito animada e onde poderemos ouvir algumas das mais antigas e belas Modas Alentejanas, nas vozes de 22 elementos deste Grupo, todos oriundos das diversas terras do Alentejo.


A entrada é livre.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Templo romano de Beja é o maior achado no País


Escavações arqueológicas junto da Praça da República confirmam.

Foi encontrado em Beja o maior templo romano em Portugal.

O edifício, do século I da nossa era, está “completamente conservado” e é maior do que os templos romanos de Évora e de Conímbriga. Está soterrado no logradouro do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, junto da Praça da República, onde decorrem escavações arqueológicas desde 1997 Foram achados também no local outros grandes edifícios do forum - a praça central - de Pax Julia, a Beja romana..

Segundo a especialista coordenadora deste trabalho, «esta fase da escavação vem na sequência de outros trabalhos arqueológicos que começaram no logradouro do Conservatório Regional do Baixo Alentejo, junto da Praça da República. As escavações decorrem no quadro de um protocolo entre a Câmara Municipal de Beja e o Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e do Porto, no sentido de se verificar exactamente a importância, a dimensão e o estado de conservação dos vestígios da praça central da cidade romana de Beja que encontrámos ali. As escavações começaram em 1997. Nesta fase, os trabalhos duraram cerca de três semanas, em Março e Abril, até à Páscoa, tendo participado uma dezena de estudantes de Arqueologia da Universidade de Coimbra.

Neste momento, é possível confirmar que o forum de Beja, em várias fases da época romana, existiu naquele espaço entre a Porta dos Prazeres, a Praça da República, a Rua da Moeda e a Rua dos Escudeiros. É possível confirmar isso. Achámos um dos templos que ali existiu. É um templo muito interessante porque é um tipo específico só da Península Ibérica e sobretudo do Sul, com um tanque a toda a volta. Existe um em Évora e outro em Ecija, perto de Sevilha. São os únicos até agora confirmados com tanques a toda a volta. Este de Beja parece semelhante ao de Ecija e estamos em contacto com os arqueólogos espanhóis para trocar informações. O templo de Beja é muito interessante mas é apenas um dos grandes edifícios que encontrámos na escavação. Há este grande edifício, que é o templo, sem dúvida nenhuma, com uma entrada virada para a Rua da Moeda, o que quer dizer que a cidade se expandia, pelo menos em boa parte, para o lado do Convento da Conceição, o que de alguma forma justifica todos aqueles achados que se conhecem desde o século XVI - era a acrópole da cidade. Mas há mais dois edifícios muito importantes, dois grandes edifícios, que não sabemos ainda exactamente o que são».

domingo, 20 de setembro de 2009

Ó Moinho Abandonado !


Ó moinho abandonado
Gigante de pedra e cal
Guardião das serranias
Venho-te aqui visitar
Porque sabes fui criado
Com o pão que tu moías

Já não tens velas nem nada
Estás sozinho sem ninguém
Estás todo desmantelado
Junto a ti querido moinho
Com a Santa de minha Mãe
Sabes bem que fui criado

O vento errante dançava
nos braços do meu moinho,
e o meu moinho cantava
porque não estava sozinho


« Ó vento vem-me contar
os segredos que me trazes
do Mundo, através do tempo »

E na dança com o moinho,
o vento errante cantava :

« De afectos desencontrados,
vi gente que se matava;
em terras que nunca viste,
crianças morrem de fome
míngua do que tu crias,
soluçam outros no escuro
por terem as mãos vazias,
e entregam-se a curto prazo
corpos eivados de cio...


PORQUE TE HEI-DE CONTAR
AQUILO QUE DEUS NÃO VIU ? »...


Eu sou carne e tu és pedra
mas somos da mesma terra,
ambos do mesmo lugar.
Já não te via há vinte anos
e com imensa saudade
te venho aqui visitar

Tenho estado na cidade
onde a vida é uma corrida
e passa ao lado da verdade.
Venho-te aqui visitar
ó moinho abandonado
porque és da minha idade

E o vento errante dançava
Nos braços do meu moinho
E o meu moinho cantava
Porque não estava sozinho


« Ó vento, vem-me contar
os segredos que me trazes
do Mundo, através do tempo »


E na dança com o moinho,
o vento errante cantava :
« Vi olhos que, cheios de ódio,
abraços petrificava :
vi posturas de impossíveis
em mãos de todos os dias;
Em terras que não conheces
de gente que nunca viste,
vende-se e compra-se de tudo,
honra, amor e dignidade,
beijos, passado, verdade !
Há tanta coisa esquecida,
tanta coisa abandonada,
que a alma marmorifica-se
numa escultura de frio.

PORQUE TE HEI-DE CONTAR
AQUILO QUE DEUS NÃO VIU ? »...

E o moinho descarnado,
já sem velas nas madeiras,
girava, rodopiado
de mil e uma maneiras !

«Endoideceu, coitadinho,
endoideceu o moinho ! »

Diziam as escusas aves
que pernoitavam no ar.


E o moinho endoidecido
continuava a girar,
sem vento, brisa ou razão,
continuava a cantar...

Hoje o moinho é sozinho,
mas ouve o vento dizer
enquanto roda a gemer,
todo de branco e vazio :

PORQUE QUISESTE SABER
AQUILO QUE DEUS NÃO VIU ?...


Há silêncio no teu corpo
( o moinho não tem gesto ).
Os teus olhos estão fechados
( há névoa a cobrir o mar ).
Respiras devagarinho
( o vento passa contente ).
As estrelas coniventes,
afastam-me o pensamento
quando eu me vejo nelas.
Mas de que serve haver vento...
se o moinho não tem velas ?...



Falripas da »Vida Viva»

Luis – 2000-12-07

Esboço Imperfeito


O silêncio leva em si a Tua voz,
como o ninho a música
de suas aves adormecidas!

Madeiro às costas, lá sobe
a ladeira do destino;
Seu peito é nave rangendo...
E o Seu coração, como um sino,
soa lá dentro batendo!

Como os Seus passos, no chão,
lembra o som das tempestades
O bater do Seu coração...

Madeiro às costas, lá trepa,
lutando contra a subida
e os abismos a vencer;
mais do que o peso da vida
- mais do que a dor de a não ter! -
Lhe
pesa a dura indiferença
de quem passa sem
O ver!


A Seu lado sobem outros,
num cortejo singular:
cruz aos ombros; e nos peitos
onde há noites sem luar
e que são naves rangendo,
ouvem-se sinos a dobrar...
Corações que vão batendo!

E os sinos que vão dobrando
choram a luz que anda ausente
dos peitos que vão trepando...
Sobe mais... e a dura carga
fere-Lhe os ombros dormentes:
Tem sede, - que sede imensa! -
de água pura das nascentes,
da Verdade, e da presença
dos dias que já passaram
com Seus sonhos inocentes
que, como as fontes, secaram!

A Seu lado vão subindo
outros vultos desolados:
sob o vento do Destino
são como vimes dobrados...

E em cada peito rangendo,
O Seu coração, como um sino,
lá vai dobrando a finados,
lá vai subindo e batendo!...

Enche-Lhe o Sol o caminho
e a Terra, farta, sorri...
Que importa?
Foge-Lhe tudo...
e é noite dentro de Si!




Falripas de Meditação - Volume 3


Luis - 2002-12-02

Gratidão de Um Pássaro


Cantarei para sempre o amor de Javé,
anunciarei de geração em geração
a tua fidelidade

Salmo 89, Vers. 2


O quinteiro da Chaniça Nova (Baixo Alentejo), Sr. Manuel Pedro, ouviu que, das bandas do tanque da quinta, vinha o piar angustioso de um passarito, a pedir socorro. Aproximou-se rapidamente. Um pequeno picanço revolvia-se na água e o bater convulso das suas asas, mais o aproximava da morte. O Sr. Manuel Pedro deitou-lhe as mãos e salvou-o.
A avezita, ainda atordoada, espanejou, alguns momentos, ao sol quente, pipilou uns trilos de alegria e, levantando voo, foi à sua vida...

O Sr. Manuel Pedro esqueceu o caso. Mas o pássaro é que não!...

Passado algum tempo estava o quinteiro entregue à sua faina de cavar o meloal, surgiu o picanço, a saltitar-lhe em volta, pousando-lhe ora num braço ora no outro e na cabeça, e procurando-lhe as mãos, como se quisesse beijá-las. E nunca mais deixou o seu salvador.
Todos os dias, o dia inteiro, anda ali perto. De vez em quando, engole, nas mãos do seu benfeitor, um gafanhotozito ou debica alguns bagos de cereal. Entra em casa, como se pertencesse à família, percorre os aposentos, saúda quem encontra no caminho, vai passear e depois volta...

Mais curioso ainda, é que os irmãos do picanço não vêem com bons olhos tais manifestações de amizade, e procuram afastá-lo, perseguindo-o à bicada. Levam-no para longe.

De nada serve, porém, a intransigência dos da sua espécie, porque o passarito, mal se liberta da perseguição, corre para casa daquele que o salvou da morte!...



(De um fragmento de Jornal antigo)

Contos

Luis – 2002-11-26

EDIA limpa a albufeira de Alvito


A empresa gestora do Alqueva detectou, durante um esvaziamento parcial da albufeira de Alvito, materiais que poderiam afectar a qualidade da água usada para regar e abastecer cinco concelhos.


A limpeza da albufeira, deverá estar concluída no final deste mês, tem como objectivo minimizar os factores que contribuem para a degradação da qualidade da água, usada para regar e abastecer as populações dos concelhos de Portel, Cuba, Alvito, Viana do Alentejo e Vidigueira.


“É um passo importante na defesa da qualidade da água que circula em todo o sistema de Alqueva”, refere a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva.

EDIA lidera candidatura de 1,2 milhões de euros para conservação do Lince-ibérico


O projecto luso espanhol visa desenvolver as condições de habitat do Lince-ibérico em zonas do Alentejo e Algarve.


O Programa de Cooperação Transfronteiriça Espanha Portugal (POCTEP) aprovou a candidatura IBERLINX - Acção Territorial Transfronteiriça de Conservação do Lince-ibérico, liderada pela EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva, em estreita parceria com a empresa Águas do Algarve, a Junta da Andalucia e com o município espanhol de Valência del Mombuey.


O projecto agora aprovado, com um orçamento global superior a 1,2 milhões de euros, visa garantir as condições de gestão e controlo efectivo de territórios com habitat potencial para o Lince-ibérico, no universo das áreas existentes definidas pelo Plano de Acção para a Conservação do Lince-ibérico em Portugal (PACLIP), nos sítios de interesse comunitário de Moura Barrancos e Monchique.


É a essa tarefa que se dirige a parceria e o projecto IBERLINX, contando com parceiros que gerem já mais de 6000 ha e que reúnem capacidades técnicas relevantes para cumprir o objectivo proposto.
A área de intervenção do IBERLINX, contempla o Parque de Natureza de Noudar, propriedade da EDIA e territórios adjacentes sob gestão do Ayuntamiento de Valência del Mombuey, a Herdade das Santinhas com o Centro Nacional de Reprodução de Lince-ibérico, propriedade da empresa Águas do Algarve e ainda territórios sob gestão de privados, associações de produtores florestais e municípios.
O carácter transfronteiriço deste Projecto apoia-se na área de distribuição natural do Lince-ibérico, que levou os governos português e espanhol a assinarem a 31 de Agosto de 2007 o “Acordo de Cooperação entre a República Portuguesa e o Reino de Espanha relativo ao Programa de Reprodução em Cativeiro do Lince-ibérico”. A ameaça de extinção de um dos mais emblemáticos felinos europeus levou as autoridades nacionais e espanholas a considerarem que apenas um esforço e programa conjuntos poderão debelar esta ameaça.


Para dar cumprimento aos acordos acima referidos importou congregar parceiros públicos com responsabilidades nesta área e com capacidade técnica, científica e financeira para intervir. Pela ocorrência natural do lince em terras de fronteira do Alentejo e Algarve com a Extremadura e Andalucia, pelos projectos que já se encontram em desenvolvimento de forma individual pelos parceiros, pela possibilidade de utilizar terrenos sobre gestão públicos de dimensão considerável, bem como pelas dificuldades técnico-científicas do tema em questão, a EDIA SA, a Águas do Algarve SA, a Junta da Andalucia e o Ayuntamiento de Valência del Mombuey, decidiram reforçar o trabalho que têm vindo a desenvolver de forma isolada, considerando que só um trabalho conjunto, a nível supranacional, produzirá efeitos quantificáveis e duradouros.


A colaboração conjunta de entidades com este nível de intervenção sobre o território, em Portugal e Espanha, nunca tinha sido encetada na procura de soluções credíveis e duradouras na questão da cria e reintrodução do Lince-ibérico.


O Lince-ibérico, é a espécie de felino mais gravemente ameaçada de extinção e um dos mamíferos mais ameaçados. Estima-se que existem cerca de cem linces ibérico em liberdade em toda a Península Ibérica.