quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Viola Campaniça no Auditório do Clube GBES



Vai o CLUBE GBES – Grupo Cultural e Desportivo dos Trabalhadores do Grupo Banco Espirito Santo levar a efeito no próximo dia 18 de Outubro (Domingo) às 16 horas um evento no nosso auditório, sito na Rua D. Luis I, nr. 27 em Santos – Lisboa (paralela com a Av. 24 de Julho), ao qual foi dado o título de


CONVERSAS COM MÚSICA
EM TORNO DA VIOLA CAMPANIÇA

Teremos connosco o jovem Pedro Mestre e o mestre Manuel Bento, ambos de Castro Verde, os quais irão fazer com que passemos uma bela tarde de música e conversa ouvindo os belos trinados da viola campaniça tão bem tocada por estes dois nossos convidados e amigos e também falando sobre ela, para o que desde já o convidamos e agradecemos faça a respectiva divulgação no seu “site”, para o que, em anexo, lhe enviamos a respectiva divulgação.

Aproveitamos para informar que a entrada é livre e poderá convidar os amigos e familiares que entender.

Os nossos agradecimentos em nome do CLUBE GBES.


José Esteves – CLUBE GBES
BANCO ESPÍRITO SANTO
LISBOA
Tef. 213136671 – TM 965867857
jfesteves@bes.pt / Ext. 212671

O Menino Feio



«Que belo é ser criança ... »

Era uma vez um menino que era destituído de qualquer traço de beleza física. Os seus olhos não tinham vida, eram tristes e baços. O seu cabelo sem graça era rebelde e sem brilho e o seu corpo franzino suportava uma cabeça desproporcionada. As suas pernas eram finas e os braços curtos. Para além disto o menino era triste também. As outras crianças olhavam-no com curiosidade e chamavam-lhe feio. Mas não eram só os pequeninos, os próprios adultos se divertiam com o seu aspecto. Inconscientes do mal que faziam, empurravam o menino a que chamavam feio para uma tristeza cada vez maior e onde não luzia uma ténue esperança. Este menino de que vos falo agora fora recolhido por caridade, e como a caridade se paga caro, o pobrezinho trabalhava para além das suas forças infantis. O pão que comia e a mão que lho dava, faziam-lhe esquecer constantemente a sua pouca idade. Caridade meus meninos, pode estar não na esmola que se dá mas no amor com que se dá. E a fome pode não ser mitigada com o alimento que se toma. Há outra espécie de fome, e mais intolerável, que aquela que reclama o alimento, e essa reside no coração. Deus vos afaste dela, meus queridos meninos, e que Ele proteja todos os inocentes, porque essa fome de que vos falo, ah, essa é terrível ! É a necessidade de amor e de ternura, é a ânsia duma dádiva fraternal de carinho, é o peso da solidão no meio de uma multidão.

Era desta fome que o menino sofria. Ele sentia a saudade de um beijo que nunca tivera e o desejo de uma ternura sem esperança. Nunca uma mão carinhosa lhe afagara o cabelo nem uns lábios doces lhe afloraram a face. E o menino, na calada da noite, imaginava que uma senhora linda e boa ali vinha e lhe sorria com ternura. Depois, cansado por um dia de trabalho, entrava no sono menos triste. E esperava sempre a noite com ansiedade, para, na solidão do seu cubículo, imaginar e sonhar. No dia seguinte, com os alvores da manhã, vinha a realidade, a vida, o trabalho, a troça, os olhares de dó, os risos abafados. E para ele, pequenino como vós, os dias eram sempre sem Sol, sem a esperança de um «amanhã» mais feliz.
Mas o menino dito feio, que era triste, mas também bom, nunca se zangava.
- «Coitados, pensava, eles não magoam por prazer, é só porque não sabem que as palavras também fazem doer ».

E que cicatrizes deixam por vezes, queridos amiguinhos ! São como marcas de fogo que nunca se apagam.

Um dia, o menino foi mandado a um lugar um pouco distante levar umas ordens do amo, a uns trabalhadores no campo. Era uma tarde de Primavera. Cheirava a urze e a alecrim. O céu muito azul lembrava o manto da Virgem da capelinha. O Sol dourava tudo e tornava mais verde as ervas dos campos e mais vivas as cores das flores. Um regato corria sussurrante lado a lado do caminho, por onde seguia o nosso menino que, livre e só, se sentia quase feliz. Saltitando nas suas débeis perninhas, ele sentia a brisa acariciar-lhe o cabelo e roçar-lhe a face. À sua frente, uma borboleta de asas coloridas esvoaçava em círculos pousando aqui e ali.
- Que linda – monologou ! E, sonhador, pôs-se a seguir com os olhos as suas evoluções. Como que atraída pelo murmúrio das águas, o insecto pousou numa pedra bem no meio da corrente. Fascinado pelas cores da borboleta irrequieta, o menino teve o impulso de a agarrar, mas, quando ia fazê-lo, uma outra mãozinha se lhe antecipou e delicadamente segurou-a entre os dedinhos cor de rosa. Do outro lado da margem estava um outro menino sorridente. Os olhares de ambos cruzaram-se e foi como se já se conhecessem.
Sorrindo sempre, o pequenino que agarrara a borboleta, estendeu-a ao outro, murmurando:
- Vem para aqui. Sei onde há outras borboletas mais lindas do que esta. Vem... E deu-lhe a mão num convite tentador. Brincaram felizes e despreocupados o resto da tarde. O menino feio esqueceu tudo: o recado, os homens que o esperavam, a tristeza que sempre o acompanhava e até a sua fealdade. O Sol estava muito baixo, mas os seus raios ainda incidiam sobre as águas do regatozinho. Cansado mas feliz, o menino sentou-se na relva perfumada e olhando o seu companheiro, admirou-lhe os caracóis louros, a face risonha, os olhos doces. Era um lindo, lindo menino ! Depois, reparou que à sua volta havia uma grande luz. Rodeava-lhe a cabeça loirinha, uma auréola brilhante como a dos santos ou a do Menino Jesus. De toda a figurinha gentil emanava uma claridade como se o menino loiro fosse todo feito de raios de Sol.
- ... Tu tens luz – balbuciou...
- E tu também – respondeu a criança, sorrindo docemente.
Surpreendido, o menino aproximou-se das águas frescas que continuavam a correr e, inclinando a cabeça para nelas se mirar, verificou que, qual espelho brilhante, elas reflectiam a imagem de um menino lindo como ainda não tinha visto outro.

Acabava aqui a história do menino triste e feio que se transformou em luz e beleza. Depois foi sempre feliz e alegre por um milagre misericordioso de Deus. Compreenderam ?


Luis – 2001-02-18

Pode Ter Sido Assim...



« E as trevas cobriram toda a Terra até à hora nona »
( Mateus, XXVII, 45-47 )


Ia alto o sol do meio-dia . Haviam chegado ao monte da Caveira, o Calvário, o Gólgata , em forma de um crânio . Estavam agora na colina da Imolação. Eram três os ladrões . Dois gostavam de surripiar coisas alheias. O Outro furtava almas de seu alheamento obtuso. Era Jesus.

O céu estava carregado, a terra, como em todos os arredores de Jerusalém, seca e sombria. Segundo certas narrações, desfaleceu-lhe o coração por um momento, uma nuvem ocultou-lhe a face de Seu Pai, teve uma agonia de desesperação mil vezes mais pungente do que todos os tormentos. Não viu mais do que a ingratidão dos homens, e arrependen-
do-se, talvez, de sofrer por uma raça vil, exclamou: « Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste ?».

Mas o seu instinto divino triunfou ainda. Ao passo que se extinguia a vida do corpo, tranquiliza-se a alma e voltava pouco a pouco à sua celeste origem. Recobrou o sentimento da sua missão, viu na sua morte a salvação do mundo, perdeu de vista o espectáculo hediondo que se desenrolava a seus pés, profundamente unido a seu Pai, começou sobre a cruz a vida divina que ia passar no coração da humanidade por séculos infinitos.

A atrocidade particular do suplício da cruz estava em se poder viver três ou quatro dias naquele horrível estado sob o escabelo da dor. A hemorragia das mãos suspendia-se depressa e não era mortal. A verdadeira causa da morte era a posição contra natural do corpo, de que provinha horrível perturbação na circulação, dores insuportáveis no coração e na cabeça, e enfim a rigidez dos membros. Os crucificados de compleição robusta não morriam senão de fome. A ideia mãe daquele cruel suplício não era matar directamente o condenado por lesões determinadas, mas expor o escravo,

cravado pelas mãos de que não soubera fazer uso, e deixá-lo apodrecer sobre o lenho.

A constituição delicada de Jesus livrou-O dessa lenta agonia. Tudo leva a crer que da ruptura instantânea de um vaso do coração, lhe resultou, ao cabo de três horas, a morte súbita. Alguns momentos antes de expirar tinha ainda a voz forte. De repente soltou um grito terrível, em que uns ouviram:«Meu Pai, entrego nas tuas mãos o meu espírito !» e que outros, mais preocupados com o cumprimento das profecias, traduziram por estas palavras : « Tudo está consumado !». Pendeu a cabeça sobre o peito e expirou.

Uma antiga lei judaica proibia que se deixasse um cadáver suspenso na cruz depois do pôr do Sol.
Se o corpo crucificado resistia, o carrasco olhava para o Sol a medi- lo e se este tombava apressado rumo ao fim de tarde, também se apressava a ultimar a morte do supliciado. Acresciam novos tormentos. Era o crurifragium, o quebramento das pernas...

Uma forte maceta de ferro era descarregada nas articulações, até por vezes nos peitos... para se cumprir a lei. E a morte surgia rápida e triunfal ! Assim, se Jesus, o Crucificado, não houvera expirado fulminantemente nas três horas, valendo por séculos, a maceta cumpridora teria funcionado para esmigalhar os ossos moribundos.

Mas Cristo era morto. Um soldado disciplinado para a lei do pôr do Sol, alça a lança e dando um grande golpe num dos lados, fura-lhe a arca do peito imóvel para se certificar...

Sim, estava morto !

Aquele Jesus anónimo não transgredira o código e não lhe dera tantos trabalhos como outro corpos na agonia...

E pousou a lança enquanto com pasmo via que da ferida saía... sangue e água !



Luis - 2000-10-25

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Retrato e Despedida de Mãe



- Mãe !

Passa a tua mão pela
minha cabeça !
Quando passas a tua mão na
minha cabeça é tudo tão verdade ! -
José de Almada Negreiros



Retrato...
Uma simples mulher existe que, pela imensidão do seu amor, tem um pouco de Deus; e pela constância da sua dedicação, tem muito de Anjo; que, sendo moça, pensa como uma anciã, e, sendo velha, age como as forças todas da juventude.
Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças.
Pobre, sabe enriquecer- se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrecer-se para que o seu coração não sangre ferido pelos ingratos.
Forte, entretanto, estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto, alteia-se com a bravura dos leões.
Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo e dela receber um aperto de seus braços, um afago das suas mãos na nossa cabeça, uma palavra dos seus lábios...

Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que ensope de lágrimas estas linhas; porque eu a vi passar no meu caminho... ainda que muito brevemente...
Quando crescerem vossos filhos, leiam para eles esta página; eles lhes cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viandante, em troca de sumptuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato e a despedida de sua própria Mãe...

Despedida...

« Na hora da morte dedico aos meus filhos...»

Deixo a vida uma criança
na flor da minha idade.
Deixo cá muitas amigas
e três filhos na orfandade.

Eu mostro sempre alegria
e boa disposição.
Mas levo muita tristeza
dentro do meu coração.

Eu levo comigo gestante
os meus queridos filhinhos,
pois bem cedo eles ficam
da Mãe sem ter carinhos.

Sei que eles ficam bem
há outros que ficam mais mal,
mas levo muito desgosto
de não os poder criar.

Aceito a morte bem
pois acabo de sofrer,
mas os meus filhinhos
nunca mais os torno a ver.

Há três anos que estou doente
na esperança de melhorar,
para eu poder um dia
os meus filhinhos abraçar.

Mas Deus achou demais
para mim essa alegria,
e sem me despedir deles
vou para a terra fria...


Carolina Monteiro (Ano 1949)


Falripas de Minha Mãe – Volume 2
Luis – 2001-03-28

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cantadeiras da Alma Alentejana na Celebração do Mês do Idoso em Almada




Hino do Idoso


Graças meu Deus


por me teres ajudado


Graças meu Deus


por tudo o que me tens dado







Tenho o prazer


do mundo ter contemplado


e Vos dizer


muito obrigado !...


(Do Reportório das Cantadeiras)





Numa actividade cultural organizada pelo Sub-Grupo Animação (GCIA - Grupo Concelhio de Idosos de Almada), integrada na celebração do «Mês do Idoso», vai realizar-se no próximo dia 8 de Outubro (Quinta Feira) a partir das 14,30h na Incrível Almadense, um «Encontro de Coros», onde, entre outros Grupos Corais e Musicais de Almada, irão estar presentes «As Cantadeiras da Alma Alentejana».





Registe-se entretanto, que este mesmo Grupo Coral Alentejano, esteve presente recentemente, no passado dia 1 de Outubro nas instalações da «Casa de Repouso de Paço D'Arcos» (uma instituição particular de assistência a idosos, funcionando como centro de recuperação e residência permanente), na celebração do «Dia Internacional do Idoso».


Tão prestigioso convite foi devido ao facto de nesta Casa de Repouso uma grande parte dos seus utentes serem naturais do Alentejo.





Numa tarde bem animada de convívio são foram entoadas algumas das Modas tradicionais Alentejanas que fazem parte do Reportório das Cantadeiras, complementadas numa parte final por muitas outras do Cancioneiro Alentejano, estas a pedido dos utentes e das mais conhecidas, entoadas em conjunto por todos, com destaque para o «Hino do Idoso» acima referido.

Buscarmos...


Buscarmos...

Termos a cada instante, a confiança de que poderemos superar as adversidades. Acordarmos todos os dias, vendo que as alegrias e tristezas são apenas momentos e que assim, devemos viver intensamente, buscando pelo progresso espiritual. Desenharmos na mente pensamentos positivos e eles passarem a direcionar os nossos passos. Derramarmos lágrimas nos momentos de fragilidade, mas acima de tudo, buscarmos compreender o momento de enxugá-las e prosseguirmos - afinal a vida não pára.

Devemos confiar na luz que ilumina o caminho à nossa frente e passo a passo, caminharmos; muito há ainda a ser feito e o progresso espera por nós. Alimentarmos a esperança em nosso íntimo; só assim, seremos capazes de realmente, acreditarmos que alcançaremos a salvação. Abandonarmos a bagagem que não serve mais e, com isso, criarmos espaço para que a renovação se realize.

Seguirmos confiantes pelas tormentas, porque com a acesa, seremos como uma embarcação que vence todas as adversidades que surgem em seu trajeto, resistindo às tempestades. Abraçarmos o Evangelho, mas também, compreendermos, que se torna necessário, colocá-lo em prática.

Termos a certeza de que somos capazes e de que em nenhum momento, nos faltará o amparo divino. Trabalharmos minuto a minuto pela nossa elevação, entendendo que a subida é gradual, mas que chegaremos ao topo. Encararmos os medos e descobrirmos que, na verdade, muitos deles só existiam em nossa mente. Usarmos as ferramentas que já estão em nosso íntimo e portas se abrirão e veremos como já podemos transpô-las.

Buscarmos pela comunhão com o bem e, assim, dessa sintonia, nascerá o equilíbrio que tanto almejamos. Compartilharmos bons sentimentos por onde andarmos, porque estaremos construindo um uma cúpula de proteção ao nosso redor. Renovarmos as nossas forças, nos sintonizando com o Alto e percebendo o quanto podemos realizar.

Buscarmos pela fraternidade, fazendo sempre a nossa parte para que ela nunca desapareça. Buscarmos pela cura dos males da alma, compreendendo que a fé é o remédio que liberta nosso Espírito das teias do mal. Desvencilharmo-nos do desânimo e sintonizarmo-nos com a espiritualidade maior, que está ao nosso lado e certamente seremos inspirados a trilhar um caminho de renovação.

A cada noite, reflectirmos sobre os atos praticados e compreendermos como se encontra o nosso íntimo, só assim, poderemos purificar os nossos passos. Não julgarmos o outro, porque cada um de nós encontra-se em um estado de evolução e muitas vezes, aquele que nos ofende, que trai nossa confiança, que fere nosso íntimo e espalha a mágoa em nosso coração, esse, na verdade, carece de nosso auxílio.

Buscarmos após cada queda, levantarmo-nos mais confiantes e com determinação, prosseguirmos, levando conosco mais um aprendizagem que muito nos ajudará.

Buscarmos pela prece nos momentos de angústia e veremos como conseguiremos alcançar a serenidade para jamais pensarmos em desistir. Combatermos o desespero, lembrando-nos dos ensinamentos do Mestre.

Não ficarmos parados no meio do caminho, a evolução é nosso destino, e só a atingiremos se continuarmos a nossa jornada espiritual.

Buscarmos pelo Pai e compreendermos que... Ele habita em nós !.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Alentejo e Algarve - Potenciar os recursos silvestres




Os Cogumelos silvestres que nascem espontaneamente no Alentejo e Serra algarvia são apenas um dos muitos recursos que vão ser potenciados através de um consórcio que vai, ainda, fomentar o turismo no território. O projecto, resultado de uma candidatura ao PROVERE, junta na região 97 parceiros. Na mira está a criação de 523 postos de trabalho.


A Coordenadora do Gabinete de Extensão Rural e Ambiente, Marta Cortegano, da Associação de Defesa do Património de Mértola, um dos parceiros do projecto, explica como vão ser aproveitados e transformados o medronho, o mel, as ervas aromáticas do Alentejo e Serra Algarvia.


O Site «Café Portugal» foi recolher detalhes junto dos técnicos respectivos, como se segue:
Café Portugal - Os recursos silvestres do Alentejo e Serra algarvia vão ser potenciados através do vosso projecto que reúne 97 parceiros. Como se atinge uma tal participação?Marta Cortegano - O projecto que envolve o Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos (CERMED) surge de um trabalho que já estava a ser desenvolvido na região. Com o aparecimento das estratégias de eficiência colectiva começámos a identificar uma oportunidade para irmos um pouco mais longe, uma vez que já estava identificado e inventariado, por exemplo, o território e a percepção da sua capacidade para suportar os recursos silvestres. Juntaram-se aos actores iniciais do projecto outros parceiros privados e públicos, associações de desenvolvimento local e entidades de investigação de maneira a concertar uma estratégia para o território, baseada nessa valorização dos recursos silvestres.


C.P.- Após essa avaliação e junção de parceiros o projecto culmina então na criação do Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos (CERMED). Pode-nos explicar?


M.C.- Dentro da concepção daquilo que são os “PROVERES”, estratégias de eficiência colectiva, tem que existir um projecto âncora que, depois, será capaz de alavancar um conjunto de investimentos na região. A produção, transformação e a comercialização deste tipo de recursos do território apresentava muitas carências. É necessária uma infra-estrutura de apoio no fomento que referi. Nasce, então, a ideia de criar o CERMED. O centro vai ser a entidade que irá trabalhar ao nível da investigação na obtenção de produção, conservação e transformação deste tipo de recursos e, por sua vez, fazer a transferência de conhecimento para quem quiser usufruir destes conhecimentos a nível da investigação que muitas vezes não chegam até ao produtor. Pretendemos dar apoio na formação, apoio ao associativismo e implementar uma componente muito importante: a concentração da oferta. Existem iniciativas muito interessantes mas isoladas, sem capacidade para chegar a mercados externos. No fundo o CERMED vem colmatar todas aquelas lacunas que existem e poderiam bloquear a estratégia arquitectada.


C.P.- Há uma estimativa do número de produtores que usam esses recursos actualmente?


A.C.- Não há um número certo dos produtores, uma vez que o projecto envolve toda a fileira, desde a produção, a transformação e comercialização. Dentro desta estratégia estão previstos 140 projectos num total de 97 parceiros que fazem parte desta rede. Assim que este consórcio foi aprovado várias outras entidades vieram ter connosco e mostraram vontade de fazer parte do projecto. Esta iniciativa tem como objectivo incentivar produtores, e não só, a juntarem-se ao processo.


C.P.- Os recursos endógenos que serão trabalhados pelo projecto passam, entre outros, pelo medronho, mel, cogumelos. De que forma pretendem potenciar estes produtos?


M.C.- Estamos a falar daqueles produtos que já tem algum aproveitamento aqui na região e com um potencial mas que não têm sido muito utilizados. Posso citar, como exemplo, os cogumelos silvestres (tentamos também incentivar a sua produção), as plantas aromáticas e medicinais e todas as suas transformações (seja para obtenção de sais, condimentos, óleos essenciais); a questão do medronho e a sua utilização enquanto fruto na aguardente, mas também outras possíveis utilizações na doçaria e floricultura. Estamos a falar daqueles recursos silvestres que existem espontaneamente e que, por isso, têm um potencial elevado, até mesmo para serem produzidos.


C.P.- Em relação à concretização do projecto, já há uma previsão para a construção do centro e do número de postos de trabalho criados?


M.C.- O centro terá sede em Almodôvar e provavelmente daqui a um ano já estará a funcionar. Engloba vários concelhos do interior do Alentejo e da serra Algarvia. O projecto é composto pela componente de investigação, produção, formação e prestação de serviços. Vai permitir a criação de 323 postos de trabalho e manutenção de 200 postos, um total de 523 pessoas envolvidas. Mais de 50% dos postos de trabalho criados serão para mulheres, com idades entre os 25 e 40 anos.


C.P.- A utilização dos recursos silvestres para a transformação e comercialização poderá criar um nicho de mercado turístico? Existem projectos na rede ligados à área do turismo?


M.C.- Temos, de facto, vários projectos ligados à questão do turismo com a componente transversal, ou seja, o turismo e a gastronomia estão muitas vezes ligados a esse tipo de recursos. Poderá originar produtos gourmet e de qualidade. É também fomentado o modo de produção biológico. As pessoas vão muitas vezes aos territórios rurais à procura desse tipo de produtos. Neste sentido fazem parte da estratégia uma série de projectos relacionados com o turismo, apesar de darmos sempre preferência quando há, de facto, esse cruzamento directo entre actividades e animação. Há um total de 36 projectos na área do turismo.


Nota: para mais informações sobre o Alentejo, ora faça clique aqui: alentejo