terça-feira, 13 de julho de 2010

A Exemplo da Sementinha...


A Lição da Semente ...

- Toma a tua enxada, homem;
transforma a terra em pão
e a angústia em Paz,
da que trazes no coração !

De que te serve o orgulho,
riqueza, vã glória, fama
se no termo da jornada,
só te resta pó e lama ?

Diante da perplexidade dos ouvintes, falou Jesus convincente:
- Em verdade, é muito difícil vencer os aflitivos cuidados da vida humana. Para onde se voltem os nossos olhos, encontramos a guerra, a incompreensão, a injustiça e o sofrimento. No Templo, que é o Lar do Senhor, comparecem o orgulho e a vaidade nos ricos, o ódio e a revolta nos pobres. Nem sempre é possível trazer o coração limpo e puro como seria de desejar, porque há espinheiros, lamaçais e serpentes que nos rodeiam. Entretanto, a ideia do Reino Divino é assim como a semente minúscula do trigo. Quase imperceptível é lançada à terra, suportando-lhe o peso e os detritos, mas, se germina, a pressão e as impurezas do solo não lhe paralisam a marcha. Atravessa o chão escuro e, embora dele retire, em grande parte, o alimento, o seu impulso de procurar a luz de cima é dominante. Desde então, haja sol ou chuva, faça dia ou noite, trabalha sem cessar no próprio crescimento e, nessa ânsia de subir, frutifica para o bem de todos. O aprendiz que sentiu a felicidade do avivamento interior que ocorre à semente de trigo, observa que longas raízes o prendem às inibições terrestres... Sabe que a maldade e a suspeita lhe rondam os passos, que a dor é ameaça constante; todavia, experimenta, acima de tudo, o impulso da ascensão e não mais consegue deter-se.
Age constantemente na esfera de que se fez peregrino, em favor do bem geral. Não encontra seduções irresistíveis nas flores da jornada.
O reencontro com a Divindade, de que se reconhece venturoso herdeiro, constitui-lhe objectivo imutável e não mais descansa, na marcha, como se uma luz consumidora e ardente lhe torturasse o coração. Sem perceber, produz frutos de esperança, bondade, amor e salvação, porque jamais recua para contar os benefícios de que se fez instrumento fiel. A visão do Pai é a preocupação obcecante que lhe vibra na alma de filho saudoso.

O Mestre silenciou por momentos e concluiu:

- Em razão disso, ainda que o discípulo guarde os pés encarcerados no lodo da Terra, o trabalho infatigável do bem, no lugar em que se encontra, é o traço indiscutível da sua elevação. Conheceremos as árvores pelos frutos e identificamos o operário do Céu pelos serviços em que se exprime.

Nessa altura Pedro interferiu perguntando:
- Senhor, que dizer, então, daqueles que conhecem os sagrados princípios da Caridade e os não praticam ?

Esboçou Jesus manifesta satisfação no olhar e elucidou:

- Esses, Simão, representam sementes que dormem, apesar de projectadas no seio dadivoso da Terra. Guardarão consigo preciosos valores do Céu, mas jazem inúteis por muito tempo. Estejamos porém, convictos de que os aguaceiros e furacões passarão por elas, renovando-lhes a posição no solo, e elas germinarão, vitoriosas, um dia. Nos campos do Nosso Pai, há milhões de almas assim, aguardando as tempestades renovadoras da experiência, para que se dirijam à glória do futuro. Auxiliemo-las com amor e prossigamos, por nossa vez, olhando em frente !

Em seguida, ante o silêncio de todos, Jesus abençoou a pequena assembleia familiar e partiu...





Falripas de Jesus – Volume 1

Luis – 2001-02-19

Alta Costura...As Mãos de Minha Mãe...


Uma Lágrima Escondida ...

Já não vejo da Terra
senão sombras e rios.
Sinto um mar de penas
bailando em meu redor.
Luas imensas passei
sempre esperando.
No deserto frio,
um pouco de luar !

Frágil figura, embarcação
sem mar.
Rio deslizando
ao vendaval da dor.
Horizontes, esperança revivida
de me encontrar contigo.
Em ondas de amor,
de silêncio, de paixão.

Desperto...desperto, ainda sozinho,
sem raio de luz,
nem estrela, nem luar.
Gota a gota os dias vão passando
sereno, deserto,
porvir ou passado.
Braços vazios, roseiras de enfeitar,
horas contadas, contidas,
contidas.
No deslizar suave duma...
lágrima escondida !






Falripas de Minha Mãe – Volume 2

Luis –
2001-01-06

Sempre a Sonhar !...

Logo de manhã era uma alegria por toda a casa. Em tempo de aulas, então essa alegria redobrava, com as canções e o riso daquelas três raparigas tão puras como flores de abrir.
Ainda o sol espreitava por detrás das árvores do jardim próximo, já elas andavam pelo corredor, com os cabelos em desalinho, aconchegadas em pijamas gaiatos, numa correria de lavagens e de preparativos para a saída.
Depois, já prontas, tendo tomado à pressa uma refeição ligeira, lá iam a caminho das suas tarefas, contentes com a frescura da manhã e com a simplicidade da vida.
Manuela, de livros debaixo do braço, e em passo miudinho, seguia por várias ruas
Levando na alma o sonho alegre da noite que findara – deslumbrada com o sol que lhe doirava os olhos e o cabelo.
Mariana, um pouco mais nova e menos afortunada, caminhava sob os seus verdes anos, a caminho da sua aprendizagem de costureira.
Fátima, a mais novinha e ainda com apenas dez anitos de idade, atravessava o pequeno jardim frontal ao seu local de trabalho na aprendizagem na conservatória do registo civil local, cheio de sombras e do chilro dos pássaros.
Quase sempre encontravam amigas, e então, sem alterar a caminhada saltitante, discutiam as lições, os pontos de costura, ou os registos e certidões de nascimento.
Nem uma palavra triste, nem um desalento, nem uma sombra; tudo corria numa torreira de felicidade...
Pobres, sem haver na sua família um fio de indignidade, viviam, como dissera a tia Mariana, «na graça de Deus e do Demónio».
- «Não quero aqui namoros, entenderam ? Eu que sonhe, que lhes ponho a cara num bolo!» - dizia a mãe , a D. Ana, toda ela uma pilha de nervos...
Toda se calavam e se submetiam. Mesmo a Manuela, já mais velha e audaciosa por temperamento, se resignava também ao cumprimento daquela ordem.
Através dos livros da catequese e das insinuações que a mãe lhes atirava quando se referia ao assédio dos rapazes, conheciam já todo o mistério da vida; sabiam, todas elas, que guardavam em si um preconceito sagrado – a honra – e sabiam, também, que a pobreza em que viviam não lhes permitiria calar o vexame de qualquer leviandade. Por isso, talvez, procuravam fugir da tentações do amor.
Mas... sonhavam, sonhavam sim, num futuro longínquo em que haveria um lar que lhes pertenceria pelo coração; sonhavam, sim, na vaga figura de um homem, todo elegância e amor, que as levaria de braço dado por sombras floridas de jardins eternos...
Sempre... sempre a sonhar !...


Falripas de Sonho

Luis – 2002-11-12

Alta Costura...As Mãos de Minha Mãe!


Mãezinha !

Mãezinha, minha Mãe;
porque me deixaste ?

Foste e nada disseste,
partiste para o além,
nem o meu rosto beijaste,
diz-me Mãezinha,
porque o fizeste ?

Querias-me muito, eu sei bem,
ainda sinto na alma esse querer,
desde o ventre onde fui nado;
também eu com lábios, sem
jamais balbuciarem - Mãe -, a sofrer
vagueio num mundo atormentado.

Dizem que foi Deus que te levou,
que me tornou um enjeitado;
não ; não creio que possa haver,
um Deus que nos condenou,
a ti por me teres amado,
a mim por te ver sofrer !

Mãezinha, minha Mãe;
Quando nos voltaremos a encontrar ?
Sabes... Mãezinha...
É que as saudades são tantas !




Falripas de Minha Mãe – Volume 2

Luis – 2001-03-07

EL CONDOR PASA

...o Condor passa...e a música fica...




http://www.youtube.com/watch?v=CtUZzCe6-bk

Dá-te às coisas da Terra...Não Sonhes sozinho !...


Dá-te Às Coisas da Terra !

Mete pelos caminhos
que em ti começam...
e em ti acabam.

Deita abaixo
todas as torres de Babel
em que inutilmente
te empenhas,
e deixa as estrelas
brilhar no céu.

Carrega-te
dos belos tesouros
que em ti se guardam,
para que seja realidade
a tua ânsia...
de seres melhor.

Dá-te...
às coisas da terra.
Olha para ti
e à roda de ti.
Volta-te todo inteiro
para a luz,
para a vida.

Que os teus destinos
são deste mundo.
E és tu
quem os semeia !...




Falripas de Sonho

Luis – 2002-11-12

Leia com o Coração...e não com a Mente...

Quantas vezes olhamos à nossa volta e não vemos, ou fazemos que não vemos, estas «Rosas» que nos atapetam o caminho...elas andam por aí. Esta da foto, até é parecida com a nossa amiga Martinha, já com 93 anos, mas com menos rugas... Parece que estou a vê-la, vai para 3 anos, quando fazendo parte das Cantadeiras da Alma Alentejana em digressão pelos Açores, ao deparar com alguns trabalhos artesanais, pedia logo: «pode ensinar-me como se faz se faz favor?»...e era vê-la passados alguns instantes fazer sair de suas mãos uma peça semelhante... São estas «Rosas» os valores que devemos primar por permanecerem «bem vivas» no coração de todos!